Gustavo Schramm

 

gustavo

Afrasia

Sigo mudo… submundos de toda parte,

Num lançamento súbito e tenso,
Horas caindo pluma, horas lenço,
Por vezes virando sonho e outras restando arte.

Vivo na bamba corda dos malabares,
Todo queimando, flutuo manto,
Hora ser riso, hora ser pranto,
Atraio raios, espanto olhares.

Soprando vento de toda crença,
Como se fosse eu a liberdade,
Forjo-me santo na caridade,
Engano ledo que oculta a ofensa.

Antes temi a onipresença
E a todo custo me fiz de casto

Temente hoje à indiferença,
Trêmulo fogo, antes chegava, mas já não basto.

Gustavo Schramm